segunda-feira, 10 de abril de 2017

Autopeças: Fim da desoneração da folha de pagamento reduz a competitividade da indústria nacional de autopeças


No dia 30 de março (2017), o Governo anunciou o fim da desoneração da folha de pagamento que vinha beneficiando o setor de autopeças (dentre outros setores). A medida deve elevar o custo de produção do setor, reduzindo a margem de lucro sob o faturamento. Além de reduzir a competitividade da indústria nacional de autopeças no mercado externo, devido ao elevado “Custo Brasil”.

Pela primeira versão da medida (sancionada em 2011), o setor era beneficiado pela substituição da cobrança do INSS empresarial de 20% sobre o total dos salários pagos por uma alíquota de 1% sobre o faturamento da empresa. No fim de 2015, a lei da desoneração foi revisada aumentando a alíquota para 2,5%. sobre o faturamento. 

A produção industrial de autopeças de acordo com o Índice do IBGE, em fevereiro apresentou um crescimento de 12,5% na comparação com o mesmo mês de 2016. O resultado levou a um crescimento de 6,4% na fabricação de autopeças neste primeiro bimestre na comparação interanual. No acumulado dos últimos 12 meses, o segmento ainda carrega uma queda de 4,2%.

No primeiro trimestre deste ano, a produção e as vendas de veículos novos e usados no País apresentaram um crescimento, portanto, a indústria de autopeças vem acompanhando o movimento das montadoras de modo geral, e do segmento de reposição. Todavia, pesa sobre o setor a concorrência com as importações. O fim da desoneração da folha de pagamento impacta o setor de autopeças acentuando a concorrência das autopeças nacionais em relação às importadas.

A nova regulamentação da cobrança de contribuição previdenciária das empresas foi publicada por meio de MP (medida provisória), e entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do quarto mês subsequente ao de sua publicação. 

Especialista do Setor de Autopeças: Laís Soares


Têxtil e Confecções/Calçados: Fim da desoneração da folha põe fim as perspectivas de retomada da produção da indústria têxtil e calçadista no País em 2017



No primeiro bimestre, ancorados pelas perspectivas e confiança de uma melhora da demanda interna, os setores têxtil e calçadista, que haviam perdido um número significativo de empregados nos últimos dois anos registraram um saldo positivo de contratações.

Todavia, na última semana de março tais setores foram surpreendidos pelo anúncio do Governo da Medida Provisória 774 (publicada dia 30 de março), que põe fim à desoneração da folha de pagamento das empresas dos setores calçadistas e de confecções, que vinham sendo beneficiados pela substituição da cobrança do INSS empresarial de 20% sobre o total dos salários pagos por uma alíquota situada entre 1,5% e 2,5%, sobre o faturamento da empresa a depender da atividade específica desta.

De acordo com a Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), até então, a desoneração vinha garantindo certo alívio para o setor calçadista, já que o setor é intensivo em mão de obra, e contribuiu para a redução dos custos de produção. Neste sentido, a reversão neste momento deverá encarecer o calçado nacional para o consumidor final. De acordo com a entidade, o segmento setor não aproveitou o benefício fiscal para aumentar a margem de lucro, mas sim para reduzir preços e ganhar competitividade no mercado nacional.

No cenário atual, tendo em vista a elevação do desemprego no País e queda no rendimento das famílias, uma elevação dos preços tende a reprimir ainda mais o consumo das famílias. Além disso, o setor calçadista e de confecções poderá apresentar maiores dificuldades para sair da crise, haja vista a concorrência que tais segmentos enfrentam com os produtos chineses importados que apresentam menores custos e preços mais reduzidos.

A nova regulamentação da cobrança de contribuição previdenciária das empresas foi publicada por meio de MP (medida provisória), e entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do quarto mês subsequente ao de sua publicação. 

Especialista do Setor Têxtil e Calçadista: Laís Soares


quarta-feira, 29 de março de 2017

Carnes: Escândalo da “Carne Fraca” desencadeia crise nas exportações do setor


A operação “Carne Fraca” deflagrada no dia 17/03, que visa combater casos de corrupção nos órgãos fiscalizadores de produção de carnes, acabou assumindo proporções que não eram esperadas pelo setor, inclusive abrindo uma crise no setor devido a expectativa de que as exportações caiam ainda mais nos próximos meses.

A operação da PF acabou indicando problemas no preparo das carnes, inclusive de um frigorífico, da BRFoods, que tinha como foco a exportação de carne de aves, o que acabou gerando preocupação nos principais compradores de carne bovina, suína e de frango brasileira. Uma parte dos grandes compradores, como Hong Kong e China (os dois maiores importadores da carne bovina brasileira), efetuaram suspensão da compra de carne por tempo indeterminado, já outra parte, como União Européia e Japão, efetuaram suspensões provisórias. Os EUA somente intensificou a fiscalização das cargas importadas do Brasil. Esse movimento de suspensões foi suficiente para preocupar seriamente o setor, pois grandes compradores, como a China, impuseram suspensão por tempo indeterminado. É possível que estes problemas piorem, já que existem frigoríficos que estão sendo investigados pela PF e que podem vir a ser fechados por problemas sanitários. 

Assim, a crise no setor chega em um momento em que o mesmo desfrutava de confiança dos compradores externos, o que se refletia na quantidade de aberturas de mercados que o setor havia conseguido nos últimos quatro anos (com destaque para a abertura de mercados como EUA, Coréia do Sul e Japão, todos notoriamente conhecidos por serem exigentes compradores, que demanda altos níveis de cuidados com higiene na produção de alimentos), o que deverá ter um impacto ainda não possível de estimar no faturamento, mas que deverá reduzir os ganhos do setor para os próximos 2 anos. 

Analista Responsável: Ricardo Quirino.


terça-feira, 21 de março de 2017

Transporte Aéreo: Nova rodada de concessões inaugura novo modelo de gestão sem participação da Infraero


Nesta semana foi finalizado com sucesso mais uma rodada de concessão que envolveu quatro aeroportos: Fortaleza, Porto Alegre, Salvador e Florianópolis. Como resultado, quatro operadores europeus levaram os terminais. A alemã Fraport conquistou dois deles, Fortaleza e Porto Alegre, já a francesa Vinci Airports ficou com Salvador e a suíça Zurich administrará o terminal de Florianópolis. 

Como contrapartida, as concessionárias deverão dispender cerca de R$ 6,6 bilhões em investimentos em melhorias e expansão dos aeroportos, também irão pagar ao Governo Federal R$ 3,7 bilhões advindos dos valores pagos na disputa de outorga onerosa, valor este que representa um ágio de 90% em relação aos valores mínimos estipulados nos editais e de 25% sobre os R$ 3 bilhões pré estabelecidos como meta pelas autoridades governamentais. Além disso, os concessionários também pagarão anualmente a contribuição variável de 5% das receitas obtidas em cada aeroporto em todo o período da concessão (no prazo de 25 anos em Porto Alegre e 30 anos nos demais aeroportos).

O destaque desta nova rodada de concessões foi o modelo de gestão em que não mais obrigava o consórcio ganhador a ceder a fatia de 49% da participação à Infraero, sendo eliminada por completo a obrigatoriedade da estatal no controle societário dos aeroportos concedidos. Isto deverá impactar diretamente nos processos de decisões de investimentos, uma vez que o grupo não mais precisará do aval da Infraero para aprovar e gerir as obras, além de eliminar um fator financeiro limitante: atualmente a Infraero não detém caixa suficiente para tocar todos os projetos de investimentos exigidos pelos contratos firmados no tempo e velocidade desejada. Neste sentido, desobrigação da participação da Infraero elimina o risco de que obras iniciadas nestes aeroportos sejam paralisadas caso haja um corte no orçamento da estatal.

Analista Responsável: Felipe Souza

segunda-feira, 13 de março de 2017

Higiene Pessoal, Cosméticos e Perfumaria – Pesquisa revela importância atribuida pelos consumidores aos produtos de beleza

 https://www.lafis.com.br/lafisinstitucional/relatorio-analise-setorial/Cosmeticos-e-Higiene-Pessoal.asp


Em pesquisa recente do SPC Brasil em parceria com a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas em todo o Brasil, foi observado que o brasileiro valoriza bastante os cuidados com a beleza e higiene pessoal. De acordo com os resultados, 7 em cada 10 pessoas acreditam que as despesas com artigos de beleza são essenciais e não luxo.

Os dados mostram que, independente do poder aquisitivo, o brasileiro valoriza muito a questão da “beleza” e os impactos que ela pode ter na vida. Para se ter ideia, em média 53% concordam que pessoas bonitas tem maiores chances de obter boas oportunidades na vida. Além disso, 75% acreditam que pessoas bem cuidadas aparentam ser profissionais melhores. De modo geral, os resultados apontaram que boa aparência tem maior impacto no sucesso profissional de uma pessoa (32,1% da população concordam com isso) do que a própria inteligência (28,9%) ou disciplina (23,4%).

Diante desses resultados, a perspectiva para o setor de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (HPPC) são promissoras, uma vez que mais da metade da população brasileira (57,4%) diz acreditar no poder dos produtos do setor para modificar ou melhorar a aparência das pessoas. Cabe as empresas do segmento alinharem-se com tais expectativas e reavaliar seus modelos de negócios, visando redução de custos – para acompanhar as modificações no perfil de compra causadas pela crise econômica em que o país se encontra – e buscar uma nova dinâmica de mercado focada nas necessidades do consumidor no curto e longo prazo.

Analista Responsável pelo Setor: Robson Poleto

quinta-feira, 2 de março de 2017

Construção – Distratos na construção civil: possível alavanca para o mercado imobiliário em 2017


Hoje em dia em caso de cancelamento da compra de um imóvel, a construtora recebe o imóvel de volta, e deve devolver no mínimo 75% do que foi pago pelo comprador, no caso de a culpa do distrato ser dele (comprador), por não conseguir o financiamento, por exemplo. Quando o cancelamento for por culpa da construtora, no caso de atraso na entrega do imóvel, por exemplo, a devolução do valor deve ser de 100% e com atualização monetária. Pela lei, a construtora pode atrasar a entrega em até 180 dias.

A crise elevou o número de distratos — isto é, quando o consumidor desfaz o contrato de compra e venda na planta e pede a devolução de parte do valor pago — afetando severamente o mercado imobiliário. Em 2016, a cada dez vendas no mercado imobiliário em média quatro foram canceladas pelos compradores, prejudicando o caixa e o planejamento de construtoras.

Representantes das construtoras defendem que, em caso de distrato, haja retenção de um porcentual calculado sobre o valor do imóvel descrito no contrato. Por outro lado, as entidades de defesa dos consumidores querem que o cálculo se dê apenas sobre o valor que já tenha sido efetivamente pago.A crise que afetou em cheio o mercado imobiliário provocou uma onda de renegociações entre empresas e consumidores. Para evitar os tradicionais distratos, as construtoras passaram a negociar ao máximo com o consumidor.

Outro fator de desacordo é o prazo para as empresas devolverem os valores pagos pelos clientes. Empresários dizem que isso só deve ocorrer ao fim da obra, pois a devolução imediata compromete o caixa arrecadado para o empreendimento imobiliário, situação que também prejudicaria os consumidores que não desistiram dos imóveis.

Neste sentido, considerando os desdobramentos da questão dos distratos e a necessidade de medidas que impulsionem a atividade econômica e a geração de empregos, levando em conta que o mercado imobiliário é intensivo em mão de obra, a Lafis considera que o Governo juntamente com órgãos de defesa do consumidor e representantes do setor da construção chegará a um acordo ainda em 2017, fato que, no mínimo, traria maior segurança jurídica ao setor, podendo ainda colaborar para uma maior previsibilidade e segurança financeira por parte das companhias do setor, a depender do que for estipulado ao fim do acordo.

Analista Responsável pelo Setor: Marcel Tau Carneiro.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Indústria Cafeeira: Gecex aprova redução de imposto para importação de Café Conillon


O Comitê Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex) confirmou a redução dos impostos para importação de café Conillon, de 10% para 2%, com a medida valendo até maio de 2017.

A principal razão desta medida é aumentar os estoques públicos de café Conillon, que se encontram bem abaixo do esperado para a época. Esta medida é emergencial visando não comprometer a possibilidade de reação do governo à crises de abastecimento. A medida não deverá comprometer o faturamento do setor, ainda mais que o tipo Conillon é o menos representativo na produção geral de café no Brasil, mas deverá ser um fôlego de emergência caso ocorram problemas de abastecimento deste tipo de café.

Analista Responsável pelo Setor: Ricardo Quirino.

Navegação e Portos: Apesar do mau resultado obtido em 2016, modal busca soluções para o médio e longo prazo


Segundo os dados recentemente divulgados pela Antaq, o setor portuário nacional (portos organizados e terminais de uso privado) movimentou no ano passado um pouco mais de 998 milhões de toneladas. Este resultado representou uma queda em cerca de 1% quando comparado ao quantum movimentado em 2015.

A queda das principais safras, como o milho e a soja, contribuíram para que a movimentação total dos granéis sólidos (principal modalidade do transporte aquaviário) sofresse uma redução de 0,7% em relação ao ano de 2015. Já os granéis líquidos apresentaram uma queda de 3,8% na movimentação dada a retração da demanda interna por combustíveis. Por sua vez, as cargas conteneirizadas praticamente não apresentaram variação. O único destaque positivo se deu pelas cargas soltas que apresentaram crescimento de 7,2% muito em virtude do expressivo aumento das exportações de celulose.

Cabe destaque também a constatação de que a queda nos resultados de movimentação portuária se deu de forma muito mais intensa nos Portos Organizados do que nos Terminais de Uso Privado. Estes primeiros, como detém uma estrutura organizacional muito mais heterogênea, acabam por amargar uma queda de 2,5% em sua movimentação. Já os Terminais de Uso Privado, por serem muito mais especializados (já que grande parte atendem à finalidade de transporte e armazenamento de somente um tipo de produto, como minério de ferro ou soja) e por deterem uma lógica administrativa mais independente e muito menos burocratizada, observaram uma pequena queda de 0,25% do total de carga movimentado.

Não é por menos que, cada vez mais, aumenta-se a representatividade dos Terminais de Uso Privado no modal em detrimento dos terminais pertencentes a estrutura de um Porto Organizado. A tendência para os próximos anos é de que com o pleno vigor da lei dos portos (Lei n o 12.815, de 2013), o número de concessões para Terminais de Uso Privativo cresça de forma significativa contribuindo para o desenvolvimento do modal no Brasil.

Analista Responsável pelo Setor: Felipe Silva.

Combustíveis Distribuição – Setor sofre com a retração econômica


O mau momento vivido pela economia brasileira afetou o mercado de distribuição de combustíveis como revelam os dados da Agência Nacional de Petróleo (ANP). Segundo a agência, as vendas dos quatros principais com combustíveis no Brasil (gasolina, etanol hidratado, diesel e Gás Liquefeito de Petróleo - GLP) caíram 2,9% em 2016, onde foram consumidos cerca de 683 milhões de beps (barris equivalentes de petróleo) frente aos 703 milhões de beps consumidos em 2015.

As vendas da gasolina se expandiram 4,6% no período, bem como o consumo do GLP que cresceu 1,1% em 2016. Por outro lado, o consumo de etanol hidratado recuou 18,3%, o do diesel caiu 5,1% em relação a 2015.Este foi o segundo ano consecutivo com resultado negativo no que se refere ao quantum consumido pelo mercado interno, o que demonstra que a situação operacional do setor já vem se deteriorando em um período prolongado.

Por sua vez, o faturamento do setor apresentou crescimento 7,0% no ano passado, muito mais em virtude dos expressivos aumentos dos preços dos combustíveis do que, como já visto, pela expansão das vendas destes. A saber, o preço médio da gasolina nas distribuidoras se elevou em 11%, do óleo diesel inflacionou 6,5% e do etanol hidratado expandiu se em 22,8% em comparação aos preços médios de 2015.

Além do mais, tal resultado do faturamento, que a primeira vista pode parecer ser positivo, não representa uma boa notícia quando se desconta deste a inflação de 2016 (que pelo índice oficial, o IPCA apresentou variação positiva de 6,29%). Assim sob este prisma, o setor praticamente não apresentou evolução de seus resultados financeiros o que é preocupante para as distribuidoras que estão vendo suas margens de venda, ano a ano, apresentarem retração como demonstra o gráfico abaixo:

Evolução na margem operacional das distribuidoras: preço pago pelas distribuidoras/ preço final junto ao consumidor
Fonte: ANP, Elaboração Lafis

Mesmo que tal cenário de queda nas vendas e margens das distribuidoras vista nestes últimos anos provavelmente não volte a ocorrer em 2017 (sobretudo porque é projetado uma redinamização da atividade econômica e uma queda nos níveis inflacionários), o esperado baixo crescimento econômico ainda deixa estreita a “margem de manobra” dos players do setor que deverão criar estratégias para capturar e fidelizar clientes à sua marca, de forma que esta pequena janela de oportunidade que representa o ano de 2017 para a retomada do crescimento mais robusto do faturamento não seja desperdiçada. 

Analista Responsável pelo Setor: Felipe Silva.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Petróleo e Derivados: Governo planeja novo leilão de pré-sal até final de 2017


O governo federal, por meio do ministro de Minas e Energia, Fernando Bezerra Filho, começa a dar indícios da realização de um novo leilão de campos do pré-sal.  Inicialmente a intenção era realizar o leilão somente em 2018, porém já existem pressões para que o mesmo seja realmente realizado em novembro de 2017. 

As áreas que seriam leiloadas ainda não foram definidas, mas provavelmente em fevereiro deverão ser divulgadas pela Agência Nacional de Petróleo (ANP). A intenção do adiantamento do leilão é atrair grandes grupos do setor, como a gigante ExxonMobil. Apesar das informações desencontradas, o governo estaria esperando arrecadar cerca de R$ 4,5 bilhões com os leilões. 

Assim, os leilões sendo adiantados poderiam ampliar a extração de petróleo do Brasil antes do esperado, inclusive atraindo mais empresas para o setor, já que o último leilão do pré-sal atraiu bem menos empresas estrangeiras que o esperado. 

Analista Responsável pelo Setor: Ricardo Quirino