segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Carnes: Missões dos EUA e Europa iniciam inspeção em frigoríficos


Após quase três meses da suspensão das exportações de carne in natura para os Estados Unidos, uma das consequências da operação carne fraca, operação deflagrada pela Polícia Federal em 17 de março, o Brasil recebeu nesta segunda-feira uma missão de veterinários dos Estados Unidos com o objetivo de inspecionar frigoríficos de carne bovina em São Paulo de modo a suspender o embargo.

A suspensão foi anunciada em 23 de junho, após um aumento da rigidez na fiscalização das carnes brasileiras que chegavam aos EUA desde março, pois apontavam inconformidades sanitárias. O percentual de carnes in natura rejeitadas pelo país chegou a 11%, quando a taxa média de rejeição é de 1%. E, embora o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) tenha revisado as normas de inspeção em frigoríficos para atender as exigências dos EUA e enviado, no início de julho, uma missão técnica ao país na tentativa de reverter a suspensão, o Serviço de Inspeção Sanitária Animal e Vegetal (Aphis, na sigla em inglês) dos EUA sustenta o embargo até hoje.

O mercado norte americano tornou-se importante fonte de faturamento das exportações de carne in natura, a média mensal de faturamento de janeiro até maio foi de US$ 9,5 milhões. A suspensão representou uma queda de 54% do faturamento entre maio e junho, um resultado insignificante em julho, e nulo em agosto. Além disso, o mercado norte americano é tido como passaporte para outros mercados, como o europeu, dada à fiscalização rigorosa imposta, que exige altos níveis de cuidados com higiene na produção de alimentos, portanto a perda deste mercado incorre em impactos negativos que vão além do próprio mercado norte americano.

A missão norte americana foi solicitada em caráter extraordinário pelo MAPA e representa importante esforço por parte do governo brasileiro em retomar as exportações de carne in natura para os Estados Unidos. Se a missão for bem-sucedida, espera-se que o setor recupere o faturamento perdido com este mercado, e se sustente a trajetória de crescimento apresentada até maio, com um ganho em torno de US$ 13 milhões.

Especialista do Setor: Beatriz Araújo.

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Combustíveis Distribuição – Após Cade barrar a compra da ALE pela Ipiranga, empresas deverão optar pelo crescimento via crescimento orgânico


Após o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) rejeitar, por unanimidade, a compra da distribuidora de combustíveis Ale pela Ipiranga, estas deverão se voltar à estratégia de consolidação via crescimento orgânico, deixando de lado, a estratégia de crescimento baseado em grandes fusões e aquisições.

Esta análise se mostra, cada vez mais consensual entre os players do setor, uma vez que tal ação do Cade sinaliza que não serão aceitos mais projetos de expansão via aquisições, com exceção de pequenos grupos regionais que detém menor fatia de mercado.

O motivo para a recusa se deu, pois, caso fosse aprovada a transação sem restrições, elevaria a participação da Ipiranga dos atuais 21% para 25%, acima do limite legal de 20% para operações de fusões e aquisições.

Assim, com a perspectiva de inalteração de share das quatro grandes companhias do setor (Petrobras Distribuidora, Ipiranga, Raízen-Shell e ALE SAT) em um horizonte de tempo visível, o foco de atuação destas passa a ser o esforço em barrar o avanço das chamadas “distribuidoras regionais”. Apenas no último ano, a Ipiranga perdeu 9% do seu volume, enquanto a Alesat perdeu 1,8% de volume para as empresas regionais, as quais, ganharam 10% em volume. Além do mais, em diversos estados, sobretudo no Norte e Nordeste, são estas que lideram o mercado. 

Especialista do Setor: Felipe Souza.

segunda-feira, 24 de julho de 2017

Combustíveis Distribuição – Necessidade de recomposição das contas nacionais do País afetará o setor de Combustíveis.



Após meses de especulação em relação a possibilidade do Governo alterar as alíquotas do PIS/Cofins incidentes sobre os combustíveis, nesta semana, foi anunciado aumento da alíquota de PIS/Cofins sobre a gasolina, o etanol e o diesel.

A alíquota para gasolina subirá de R$ 0,3816 para R$ 0,7925 por litro, representando uma elevação de de R$ 0,41 por litro. Em relação ao diesel a alíquota passará de R$ 0,2480 para R$ 0,4615 por litro, o que representa uma expansão de R$ 0,21 por litro. Já para o etanol, houve um aumento de R$ 0,12 para R$ 0,1309 no caso da tributação incidida na produção, sendo que para os distribuidores, ela sairá de zero para R$ 0,1964.

Esta ação terá duas consequências. A primeira diz respeito ao aumento da competitividade do etanol em relação à gasolina, uma vez que o preço do combustível fossíl será elevado de forma mais intensa do que o combustível renovável. Já a segunda, deverá ter um efeito prejudicial para o setor como um todo, dado o aumento do custo tributário do setor, que certamente será repassado de forma integral para os consumidores, o que deverá refletir em uma retração das vendas do setor após o aumento, tendo em vista o cenário econômico desafiador que têm imposto uma restrição no orçamento das famílias e empresas.

Especialista do Setor: Felipe Souza.

segunda-feira, 10 de julho de 2017

Instituições de Ensino: Novas regras para o FIES



Nessa semana, o Governo Federal anunciou novas regras para o FIES (Fundo de Financiamento Estudantil), e afirma-se que, a princípio, elas estão adequadas ao atual cenário de restrição de recursos públicos. A mudança no fundo criou 3 modalidades de financiamento universitário, sendo que antes só havia uma. 

Na primeira modalidade, o FIES financiará matrículas tal como um empréstimo consignado: haverá desconto de 10% na futura folha de pagamento do estudante. Foi divulgado erroneamente que não haverá juros para esse financiamento, na realidade, não haverá juros reais: o pagamento do empréstimo será corrigido somente pela inflação, medida pelo IPCA. Ele será destinado a estudantes com famílias que ganham até 3 salários mínimos mensais, e terá 32% das vagas para o próximo ano. Outra mudança significativa refere-se ao fundo que serve como fiador dos empréstimos, o FGEDUC (Fundo de Garantia de Operações de Crédito Educativo), o qual passará a se responsabilizar por 25% dos calotes, antes era somente 10%, no entanto, as instituições de ensino terão que compartilhar o risco dos financiamentos dos FIES: se responsabilizarão por até 20% dos calotes. Em suma, o risco dos empréstimos será mais compartilhado entre o governo e a iniciativa privada, e a imposição de desconto na folha de pagamento diminuirá bastante o risco de inadimplência. 

Na segunda modalidade, destinada para os estudantes das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste do país, os financiamentos terão juros de 3% a.a + inflação, e alunos com famílias que ganham até 5 salários mínimos mensais terão prioridade.  O foco regional já tinha sido realizado em 2015, e não é consideração uma novidade no programa, no entanto, a fonte de financiamento revelou-se uma surpresa: os 3 Fundos Constitucionais de Financiamento, FNO (Norte), FCO (Centro-Oeste), FNE (Nordeste), os quais tem o propósito de diminuir as diferenças econômicas entre as regiões, serão usados para financiar essa modalidade de empréstimo universitário. Foi precificado corretamente que a Ser Educacional, que tem muita presença nessas regiões, será beneficiada por essa modalidade, a qual terá 50% das vagas do FIES no próximo ano. 

A terceira modalidade foi vagamente explicada, mas entendeu-se que o BNDES fornecerá recursos para esse tipo de empréstimo que terá 18% das vagas do programa. Em todas essas modalidades não haverá mais a carência dos empréstimos, isto é, os alunos não terão um tempo para começar devolve o dinheiro assim que se formarem nas instituições de ensino. 

A princípio, essas mudanças estão equilibradas, e não afetarão tanto a captação de alunos pelos grupos educacionais privados, pois desde 2015, as universidades têm se precavido com as mudanças no FIES, a ponto de se afastarem da dependência em torno do programa. Porém, o que não foi explicado claramente pelo governo é o prazo de recebimento das matrículas financiadas pelo FIES, isto é, quanto tempo vai demorar para o FIES pagar as universidades e faculdades pelas matrículas financiadas. Vale lembrar que as instituições de ensino envolvidas no programa tiveram complicações no caixa com o prazo de 45 dias. Por fim, destaca-se a ressalva que o governo colocou sobre as mudanças no FIES: as universidades com muitos alunos inadimplentes podem ser descredenciadas do FIES. Num cenário de alta inadimplência, supõe-se que universidades com dificuldades podem ter o acesso negado ao FIES. 

Especialista do setor: Francisco Lira

segunda-feira, 3 de julho de 2017

E-business: Revés para o Google



Em fins de junho, o Google foi multado em 2,4 bilhões de euros pela Comissão Antitruste da União Europeia por favorecer o seu próprio comparador de preços para compras online, o Google Shopping. O caso contra o Google havia começado em 2015, e já tinha sido apontando o potencial de criar precedentes importantes em âmbito mundial ao influenciar diversas jurisprudências no que se refere ao poder de mercado da gigante da web. 

Previsivelmente, o caso da Europa poderá influenciar nos processos do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) envolvendo o Google. Um dos casos mais emblemáticos é o iniciado pelo grupo Naspers, detentor das marcas Bondfaro e Buscapé, o qual acusa o Google de ter privilegiado o Google Shopping na ferramenta de busca e através da apresentação do link para a loja do Google em posição de destaque patrocinado com fotos na busca. Esse processo tem similaridade com o ocorrido na Europa. Mas curiosamente, o Buscapé afirmou que não pretende utilizar a decisão da Justiça da União Europeia contra o Google, pois tem desenvolvido uma série de projetos com o Google, que hoje é uma empresa parceira do site. 

Ao contrário da avaliação de fusões/aquisições, as investigações de condutas anticoncorrenciais pelo Cade são mais demoradas, chegando entre 5 a 10 anos para alcançar uma decisão, e muitas vezes, a investigação não tem conclusão, pois as partes investigadas podem assumir termos de adequação de conduta para se livrar do processo. Vale pontuar o seguinte: a decisão na União Europeia não terá repercussão imediata a ponto de alterar radicalmente o ambiente de negócios online no Brasil, especialmente porque ainda não se tem ideia de como coibir de forma eficiente o poder de mercado desses negócios online. 

Especialista do setor: Francisco Lira

Meios de Pagamento e Instituições de Ensino: Decisões importantes do Cade



O Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) é uma instância do poder público discreto que toma diversas decisões para manter o ambiente saudável de livre concorrência na economia brasileira. No entanto, este orgão tomou duas decisões que colocaram reveses no mercado de ensino superior e de meios de pagamentos, setores monitorados pela Lafis. 

Juntas, Kroton e Estácio formariam uma companhia com valor de mercado de cerca de 30 bilhões de reais e 1,5 milhão de alunos, e dominariam quase 25% do mercado de ensino superior privado. A Kroton já era considerada um dos maiores grupos de educação privada do mundo (e o maior do Brasil) após ter comprado o grupo Anhanguera em 2014, e caso a fusão tivesse tido sucesso, tal posição seria reforçada consideravelmente. No entanto, nessa posição, o Cade entendeu que havia riscos nítidos de concentração de mercado que pudesse afetar os consumidores. 

O mercado financeiro havia se convencido de que era possível haver uma fusão desse nível, mas havia detalhes na transação que sinalizavam cautela, porém, eles foram ignorados quando a transação foi celebrada no ano passado. Primeiramente, após a aquisição da Anhanguera pela Kroton, o Cade já havia sinalizado que essa transação havia sido a última cartada do grupo educacional para conseguir maiores fatias do mercado de ensino superior por meio de grande aquisições/fusões. Por isso que outro acordo desse nível para a Kroton teria dificuldades adicionais de aprovação pela entidade anti-trust. 

Além disso, o acordo entre as duas empresas foi acompanhada de condicionantes para manter as sinergias previstas na fusão, como o cancelamento da transação caso fosse necessária a venda de ativos que comprometessem mais de 15% das receitas das duas empresas juntas. Assim, como a única maneira do acordo prosperar aos olhos do Cade seria através da venda de ativos significativos, como a Anhanguera e uma das empresas de educação à distância (um dos ramos mais promissores desse mercado), essa solução oferecia riscos adicionais para uma transação que prometia criar um player sólido capaz de atuar no ensino superior presencial e à distância. Não foi à toa que há um dia do Cade reprovar o acordo, Kroton havia pedido para retirar provisoriamente o processo da autarquia federal, pois entendeu que a aprovação da transação tinha um grau de complexidade que reduzia os benefícios da união entre as duas empresas.

Outra decisão do Cade, que não teve tanto protagonismo, mas não tem sua importância diminuída, foi o fim da exclusividade entre a Cielo e a Elo, ou seja, os cartões Elo poderão ser aceitos por credenciadoras concorrentes, como a Redecard e Getnet. Além disso, a Cielo terá que dar acesso a suas máquinas de captura a todas as demais credenciadoras do país, desde que estas empresas concedam o mesmo tratamento à companhia. Acordo semelhante já havia sido firmado em abril com a principal rival da Cielo, a Rede, do Itaú Unibanco. Isto anuncia facilidades para a entrada de novos concorrentes, tal como demonstrou o novo empreendimento do banco Safra, o Safra Pay, nova credenciadora de cartões. A concorrência deve acirrar no setor nos próximos anos. 

Especialista do setor: Francisco Lira

Comércio Varejista: O Carrefour abrirá o capital no Brasil


O Carrefour anunciou que suas ações serão vendidas na oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) por um valor que vai de R$ 15,00 a R$ 19,00. O preço dos papéis na oferta será fixado no dia 18 de julho. A estreia na B3 está prevista para 20 de julho. Os papéis serão listados no Novo Mercado.

Essa captação programada de recursos é um possível prenúncio de uma estratégia de investimento e expansão desse grande grupo de varejo no Brasil, como geralmente são as IPO’s  (a companhia aérea Azul abriu o seu capital para conseguir recursos para expandir suas operações), no entanto, grande parte dos recursos irá para o caixa, ou seja, não fica claro se a empresa usará esse caixa para construir novos hiper e supermercados ou se usará como reserva financeira para sustentar melhores  preços frente aos concorrentes. Sabe-se que com a retomada do crescimento econômico no Brasil, os varejistas buscarão (re)conquistar os clientes que se perderam com a crise. 

Cabe comentar que até o momento, a filial brasileira não paga os royalties pelo uso da marca Carrefour à matriz na França, mas após a abertura de capital, a filial terá que pagar, conforme os resultados da empresa. Isto trará uma nova dinâmica para a atuação do grupo no Brasil. 

Especialista do setor: Francisco Lira

sexta-feira, 23 de junho de 2017

Comércio varejista demonstra sinais de vida


Em abril de 2017, o comércio varejista nacional registrou taxa de crescimento  de 1,0% em volume de vendas e de 1,3% em receita nominal, frente ao mês imediatamente anterior, após ajuste de influências sazonais. O resultado para o volume de vendas compensou parte da queda de 1,6% acumulada nos dois meses anteriores. Ao comparar o volume de comércio varejista de abril de 2017 com o de 2016, mostra-se a mesma tendência: aumento de 0,2% – uma boa notícia em meio à recessão que ainda persiste na economia brasileira. 


Ao observar os segmentos, nota-se que o resultado de abril foi impactado pelo desempenho forte de 3 setores, ao analisá-los interanualmente: Móveis e eletrodomésticos (5,5%), Tecidos, vestuário e calçados (13,2%), e Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (6,3%). Os segmentos que não tiveram tendência de alta foram Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (-0,6%), Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (-1,7%) e Combustíveis e lubrificantes (-3,2%), que mesmo assim, tal decréscimo não foi o suficiente para reverter o resultado geral do volume transacionado no varejo brasileiro. 

Estima-se que o resultado desse mês foi consequência da liberação do FGTS para a população, mas ao olhar a instabilidade no mercado de trabalho, acredita-se que o crescimento do comércio não se traduza numa melhora econômica substancial. 

Especialista do Setor: Francisco Lira

segunda-feira, 29 de maio de 2017

Gás Natural: Petrobras anuncia venda integral do Campo de Juruá


A Petrobras anunciou nesta semana que venderá o Campo de Juruá de extração de Gás Natural da Bacia do Solimões (AM). A empresa detinha 100% de participação. Segundo a companhia, a concessão para exploração foi outorgada pela Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), em 1998, e o contrato expira em 2025 e integra o marco zero das concessões.

 Os reservatórios do Campo do Juruá foram descobertos em 1978 e desde então foram perfurados 15 poços, oito deles classificados como produtores e quatro completos para produção, mas deverão ser vendidos para a iniciativa privada, uma vez que,  tendo em vista que foram descobertos campos mais rentáveis pela estatal na região.

As vendas refletem a nova política da Petrobras, na busca da eficiência e redução dos custos considerados “desnecessários” para o novo momento da empresa.

Especialista do Setor: Ricardo Quirino.


Indústria Sucroalcooleira: Aumento da taxa de importação na China deve prejudicar Brasil


Nesta semana a China anunciou o aumento das taxas de importação para o açúcar importado do Brasil, de 50% do valor importado para 95%, quando o tamanho exportado exceder 1,945 milhões de toneladas. 

Esse aumento deverá ser uma perda considerável para as vendas destinadas a esse mercado, já que o setor esperava vender quase 3 milhões de toneladas para o país asiático em 2017. As perdas são estimadas em 800 mil toneladas de açúcar só neste primeiro ano. Essa taxa de importação deverá ser reduzida ao longo do tempo, mas ainda permanecerá alta pelo menos por 10 anos.

Assim, essa alteração na legislação chinesa deverá prejudicar os negócios brasileiros já a partir de 2017, com a forte redução do volume exportado de açúcar.  

Especialista do Setor: Ricardo Quirino.